PORTUSASAS – Associação de Solidariedade e Apoio Social

Na PORTUSASAS - ASAS, pretendemos prestar cuidados a pessoas pobres e carenciadas, afectadas por qualquer tipo de demênca ou Doença de alzheimer. Mas pretendemos também prestar apoio às crianças em situação de risco. Queremos também comparticipar na aquisição de medicamentos pelas pessoas com menores rendimentos, tantas que são…



Precisamos de instalações, não importando o estado em que se encontre o espaço, pois far-se-ão as obras necessárias. Também não imposrta a sua localização, dentro do chamado Grande Porto.



Se alguém nos pode ajudar a «ajudar» quem precisa de nós, agradecemos que nos contacte através do TM. 931767630, o e-mail: portusasas@iol.pt, portusasas@gmail.com.



Não temos nem dependemos, nunca aceitaríamos tal situação, de qualquer partido político, uma vez que o nosso partido são as pessoas que possamos apoiar no dia-a-dia.



sábado, 31 de julho de 2010

O egocentrismo global

O simulacro existencial da pós-modernidade e suas implicações na actividade admnistrativa e na vida de forma mais ampla, podem ser percebidos a partir de conceitos e valores. A ideologia pós-moderna difunde-se a partir de emissões televisivas para a classe média portuguesa, através dos seus principais aparelhos ideológicos. Os telejornais, as novelas e os constantes “Big Brother Portugal”, liderado por “intelectuais” pós-modernos.
O primeiro, encerra-se num apanhado de informações manipuladas, apresentadas artisticamente e desprovidas de qualquer estímulo ao debate e à reflexão, elementos indispensáveis ao exercício da cidadania democrática, ética e transformadora, por lhe fornecer o seu fundamento factual. Isto significa ressoar o óbvio: que fundamenta o seu posicionamento político e cidadão a partir de dados fornecido pelos telejornais, submete-se ao risco de se constranger, caso participe dum diálogo com pessoas efectivamente informadas do factos que nos afectam e despertam o nosso interesse e estupefacção.
O “Big Brother” é um aparelho que perverte a noção de meritocracia, inerente a uma ética que percebe a justiça como condicionada à competencia de cada um, ou seja, à virtude daquele que soube aproveitar as oportunidades disponíveis na sua busca de qualificação ou mesmo conduta ética: para o vencer, é necessário apenas cair nas boas graças (…), o que significa agir de modo irracional ou “espontâneo”, de maneira que afecte a sua simpatia junto do “público”, ou seja, aquele subconjunto de telespectadores que, além de assistir aos programas, se dispõe a votar pela Internet e telefone, a fim de garantir que os seus preferidos permaneçam no “poleiro da casa” e, no limite, vençam de novo.
As novelas são o golpe final. Fica claro quanto a novela ataca valores caros à felicidade humana: o propósito, a família e a própria ética. Nem sempre se percebe estas concepções existenciais contraditórias: uma, que condiciona a efectividade da vida colectiva, e outra, que acredita que a felicidade individual depende dum rompimento com qualquer compromisso com o bem-estar geral.
Esta oposição revela um importante debate filosófico e administrativo presente na contemporaneidade. Dum lado, o homem como ser “político”, posicionado por Aristóteles (Ética e Nicómaco), segundo o qual a vida só é possível quando o homem usa o seu intelecto de maneira coerente e racional, em busca dum bem colectivo e individual, sendo temperante em relação aos prazeres físicos, para que possa procurar as suas vontades espirituais. Do outro, o homem nezchiano, a “sós consigo”, em busca da sua libertação da própria condição humana, transvalorizando todos os valores para se tornar um super-homem, revelado por ser pura iracionalidade e desejo físico. Para além dos méritos de cada concepção, fica claro que a interpretação vulgar do pensamento nietzchiano acescentou o actual ataqque á racionalidade humana, á família, aos valores humanistas e à própria noção de cidadania. É importante perceber-se que somente vive quem o faz com propósito, com objectivo capazes de nos desafiar a desenvolver as nossas potencialidades em direcção a uma obra que tanto satisfaça as nossas vontades como contribuam para o progresso social.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Memória

Compreende-se por memória a capacidade de conservar informações referentes a experiências anteriores. A sua importância radica-se no facto de contribuir para a formação de hábitos e de permitir o reconhecimento de coisas já conhecidas ou facilitar o conhecimento de novas.
A capacidade de recordação envolve componentes, como a correlação entre o que é lembrado, a pessoa e o seu passado.
A evocação voluntária dum nome ou dum ano, por exemplo, pode ser realizada em fracções de segundo, ou exigir um grande esforço de pensamento.
Em ambos os casos, o acto de lembrar uma determinada informação, além de voluntário, realiza-se e ou conduz a relações com outras informações.
As circunstâncias também podem fazer emergir uma lembrança repentinamente; mas, mesmo essa recordação involuntária só acontece a partir de alguma situação análoga vivida antes.
O acto de recordar implica sempre – independentemente da vontade de cada um – uma atitude consciente.
A memória funciona como uma espécie de armazém de todas as experiências vividas ou imaginadas.
As informações que são tansmitidas pelos órgãos dos sentidos e as decorrentes de situações emocionais, parecem ser traduzidas para um código especial – através das células nervosas cerebrais – e inseridas, em seguida, no contexto próprio da memória. Nenhuma experiência vivida se perde, uma vez que a memória é constituída por diversos níveis que, embora interrelacionados possuem, cada um, uma dinâmica e um código próprios.
Os distúrbios do sistema nervoso e a grande maioria das doenças ralacionadas com a idade avançada, são atribuídos a defeitos da memória. Por isso, o mecanismo da memória está a ser cada vez mais estudado pelos fisiologistas, com o obejectivo de encontrar meios de melhorar o seu funcionamento nos casos de alteração parcial ou total.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

No quarto do hospital

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto do hospital. Um deles podia sentar-se na cama durante uma hora todas as tardes, para que os fluídos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro, tinha que ficar sempre deitado de costas. Conversavam horas seguidas. Falavam acerca das suas mulheres e filhos, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham ido passar férias… E todas as tardes, quando o da cama perto da janela se sentava, passava a descrever ao seu companheiro tudo o que conseguia ver do lado de fora. O outro começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo lá fora.
A janela dava para um parque com um belo lago, onde patos e cisnes nadavam, enquanto cianças brincavam com seus barquinhos e jovens namorados caminhavam de mãos dadas po entre as flores, de todas as cores. Velhas árvores enormes acariciavam a paisagem e uma ténue silhueta da cidade podia ver-se no horizonte.
Enquanto o doente da cama junto da janela descrevia isto tudo, com extraordinário pormenor, o outro fechava os olhos e deixava voar a imaginação. Um dia, aquele que estava junto da janela, descreveu um desfile que passava. Embora o outro não conseguisse ouvir a banda, ouvia-a e via-a na sua mente, enquanto o outro tudo retratava com palavras muito descritivas.
O tempo fi passando e, uma manhã, o enfermeiro chegou ao quarto com todos os apetrechos para os banhos, e encontrou o seu corpo sem vida; o doente da cama perto da janela tinha falecido,calmamente, enquanto domia. O enfermeiro ficou triste e chamou os auxiliares para que levassem o corpo.
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro doente perguntou se podia mudar de cama, para perto da janela. Evidentemente que sim. E, depois de se certificar que estava bem instalado, o enfermeiro deixou o quarto.
Lentamente, cheio de dores, foi-se erguendo, apoiado no cotovelo, para contemplar o maravilhoso mundo, lá fora. Fez um grande esforço e, lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava,, afinal, para um muro de tijolo.
Perguntou ao enfermeiro o que teria feito com que o falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito tão maravilhosas coisas. O enfermeiro respondeu que aquele homem era cego e que talvez quisesse apenas dar-lhe coragem…
Há uma felicidade extrema em fazer os outros felizes, apesar de todos os nossos problemas.
A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.
«O dia é uma dádiva, por isso é que o tratam de presente.»

terça-feira, 27 de julho de 2010

As sementes

Hoje, neste tempo que é o nosso, o futuro está a ser plantado. As escolhas que procuramos, os amigos que cultivamos, as leituras que fazemos, os valores que abraçamos, tudo será determinante para a futura colheita.
Por isso, não percamos de vista o que esclhemos para lançar á terra, devendo ter cuidados com os semadores que nos detestam, pois têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas…
Devemos ter cuidado com os semadores que não conhecemos, sabendo exitir muita maldade escondida em sorrios sedutores.
Tenhamos cuidado com os que deixam cair algo sobre nós; afinal, merecemos melhor que qualquer coisa. Tenhamos cuidado com os invasores do nosso corpo, pois não costumam voltar para ajudar a consertar a desorem…
Cuidado com certos olhares, que costumam fazer esquecer que valemos a pena.
Cuidado com as palavras mentirosas que circulam por aí, pois costumam estragar o referencial da verdade…
Cuidado com as vozes que insistem em recordar-nos os defeitos, pois costumam prejudicar a própria visão sobre nós.
Não tenhamos medo de nos olharmos ao espelho. É nessa cara que ali vemos, que temos a consolação. Não desnimemos, mesmo que a colheita de hoje não seja a melhor.
Não coloquemos um ponto final nas nossas esperanças. Há ainda muito a fzer, muito a semear e plantar na vida…
Em vez de ficarmos parados no que possamos ter feito de errado, olhemos em frente e vejamos o que pode ainda ser feito. A vida não acabou.
E já dizia o poeta que, «Os sonhos não envelhecem!»
Continuemos em frente! Sorriso no rosto e firmeza nas decisões!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A depressão

Uma mulher que trabalhava num banco há bastantes anos, caiu em desespero.
Estava dão deprimida que corria o risco de esgotamento nervoso.
Consultou um médico especialista e este, procurando estabelecer um diagnóstico, perguntou-lhe, após tê-la ouvido durante cerca dum quarto de hora.
«Como se chama a jovem que trabalha a seu lado no banco?» “Sónia”, respondeu. «Sónia, quê?» “Não sei” «Sabe onde mora a Sónia?» “Não!” «Que faz ela nas horas vagas?» “Também não sei”.
O médico entendeu que o egoísmo estava a roubar a alegria daquela pobre mulher.
«Posso ajudá-la, mas vai ter que me prometer que fará o que lhe pedir». “Farei qualquer coisa!”, afirmou ela.
«Em primeiro lugar, torne-se amiga da Sónia. Convide-a a jantar em sua casa. Descubra o que almeja na vida e faça o que puder para a ajudar. Depois, faça amizade com o seu vendedor de jornais e veja se pode fazer alguma coisa para o ajudar, como com sua mulher e filhos. Depois ainda, torne-se amiga do zelador do prédio onde mora e descubra qual é o sonho da sa vida. Dentro de dois meses, volte cá, para conversarmos de novo.
Os dois meses passaram e ela não voltou ao consultório. Mas, escreveu numa carta sem sinais de tristeza ou melancolia, mas de alegria.
Tinha ajudado a Sónia a entrar na Universidade, ajudou a cuidar duma filha doente do vendedor de jornais, e ensinou o zelador a ler e escrever, pois era analfabeto.
«Nunca imaginei que pudesse sentir-me tão feliz», escreveu ela.
Os que vivem apenas para si mesmos nunca encontrarão a paz e a alegria. Todos evemos querer ajudar os outros. Digo querer, porque poder é, muitas vezes, coisa mais difícil.
Para ajudarmos os outros, precisamos primeiro que nos ajudem a conseguirmos umas instalações onde possamos desenvolver as actividades, de ajuda a quem dela necessita, que nos propomos.
Mas, parece que teremos de descobrir qual o segredo para que quem pode fazê-lo o faça sem reticências, que já levam mais de sete anos.
Querem fazer o favor de pensar nisto? É que não queremos entrar em depressão, em melancolia ou tristeza, esses sentimentos de isolamento – emoçõe comuns a todos – embora aspectos normais da vida, mas que minam a energia do indivíduo e perturba os seus hábitos de sono e alimentação, podendo provocar mal-estar físico e tornar a vítima mais susceptível a infecções e doenças. Queiram olhar pela nossa saúde, por favor…

domingo, 25 de julho de 2010

«Velhos Espoliados»

Há muito que critico, emitindo as mais sérias reservas, o Dia Mundial Anual da Solidariedade, em vez dum financiamento progressivo efectivo.
Criado após a canícula de 2003, este Dia Mundial deveria financiar a tomada a cargo das pessoas mais velhas.
Aprende-se que esse dia foi desviado de tal afectação e que o Estado utiliza uma parte do dinheiro para diminuir os descontos para a Segurança Social que corresponde, particularmente, à compensação parcial das exonerações de cotizações sociais que o próprio Estado desenvolve cada vez mais, em detrimento da própria Segurança Social.
Não podemos deixar de nos associar a todas as Associações e IPSS vocacionadas para cuidar de pessoas idosas, crianças, toxicodependentes, deficientes físicos ou mentais, imigrantes, estimando que as necessidades dos mais velhos e fragilizados se mantêm largamente não cobertas, que este ano o desvio directo é de dezenas de milhões de euros.
Pior que isso, o Estado organiza as derivas para que possam atingir somas ainda mais elevadas.
Todas as IPSS devem tomar a defesa dos mais velhos e dos seus direitos, não aceitar o facto de que as necessidades sociais em geral e das pessoas mais velhas em particular não sejam um critério de gestão do sistema quer de saúde quer de protecção social
Tanto mais que basta fazer uma partilha das riquezas. Precisemos, por exemplo, que a parte dos lucros não reinvestidos no aparelho produtivo está em crescimento exponencial.
Os dividendos limpos representam cerca de 16% do excedente bruto da exploração das sociedades não financiadas em 2007, contra apenas 7% em 1993.
Tudo sem dizer que esta deformação do valor acrescentado, cada vez mais desfavorável aos rendimentos do trabalho e às cotizações sociais, conduz os governos a práticas duvidosas deste tipo.
Só quero lembrar que o grau de civilização duma sociedade se mede particularmente pela maneira como trata o conjunto das pessoas idosas, compreendendo sobretudo as das camadas populares.

A Maria

Maria, uma cliente que vai ao posto tratar uma antiga dor na perna. Juntamente com essa dor, um medo muito grande de que, por qualquer motivo, venha a depender da família. Tinha sempre a impressão de que algo iria acontecer-lhe; uma doença ou um problema financeiro qualquer e que, por isso, ficaria dependente da família, o que lhe causava terrível angústia.
Era uma mulher de quarenta e dois anos, casada, com dois filhos, profissional liberal de certo sucesso. Aparentemente nada havia que justificasse os medos e as angústias da Maria.
Feito o tratamento, Maria segue à sua vida, sem poder entender todos os motivos das suas queixas. Consegue entender a raiva que sente em relação à família, isto é, a alguns membros da família; entende também que era necessário perdoar, não porque isso fosse bonito ou certo, mas porque se vê a fazer coisas que a levam a compreender alguns erros no ser humano.
Maria tinha sido uma criança com uma certa deficiência mental; ligeira, mas suficiente para que não pudesse sobreviver pelo próprio trabalho. Filha de camponeses, empregados numa casa solarenga, apalaçada e rica. Aí cresce, nos campos floridos, criança sempre contente, muito querida pelos pais, que vêm a morrer, passando a Maria a ser cuidada pelos patrões.
Na casa apalaçada, havia os filhos dos senhores, que a tratavam como uma simples serviçal, e pela deficiência, era sempre alvo da chacota de todos eles.
Tinha também um leve defeito físico na perna. Andava com certa dificuldade, não podia correr tanto como as outras crianças. Nas brincadeiras pelos jardin do pequeno palácio, era sempre a última. A senhora decide, um dia, incluir Maria no seu testamento, beneficiando-a com uma pequena parte dos bens, apenas para que pudesse ter algo para sobreviver, já que não era capaz de prover o seu próprio sustento.
Preocupados, os filhos, por terem de dividir, resolveram fazer com que abandonasse a mansão.
Muito mais velha e gorda, devido á própria deficiência, vivia numa cadeira de rodas de madeira, numa casa também de madeira que, anteriormente havia sido ocupada pelos pais, quando ainda vivos.
Não satisfeitos, os herdeiros resolveram pegar fogo à casa, pensando que com ela arderia também a Maria, sem poder defender-se, queimada viva. Passados anos, Maria conta como escapou às chamas sem que se apercebessem e como emagreceu. Sente-se um ser inferior, embora não o seja, o que lhe causa grande fúria. Está sempre pronta a fazer tudo quanto lhe pedem e nunca entendeu porque agia assim. Hoje, muito mais tranquila, não mais se sente na obrigação de fazer seja o que for por quem quer que seja. Continua a viver sentada ou deitada, recebendo a alimentação de quem lha dá na boca, e o seu olhar parece não perdoar, mas também não pede perdão por erros que tenha cometido.
A dor na perna também é coisa do passado. Maria já nada sente e nunca e queixa. Já não sente dores nem raiva. Apenas vive, sem se aperceber que o faz ou o que faz.
E pergunto: «Quantas pessoas vivem como a Maria, sem companhia e sem cuidados de ninguém?»

sábado, 24 de julho de 2010

Na Doença de Alzheimer

A cada minuto de tristeza perdemos a opotunidade de sermos felizes por 60 segundos.
Diz-me um amigo: «O meu pai está com Alzheimer. Logo ele que, durante toda a vida se dizia “infalível”; logo ele que um dia, ao tentar ensinar-me matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no tecto. Logo ele que repetia, ao longo de 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço, que aprendeu quando tinha 12 anos e nunca mais se esqueceu: “esternocleidomastóideo”.
O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas para mim, basta saber que esquece o meu nome, mal anda, bebe por uma palhinha, não consegue terminar uma frase, nem controla já as suas funções fisiológicas e tem famosos delírios paranóides, comuns nas demências tipo Alzheimer. Aliás, fico mais tranquilo face ao «não sei ao certo» dos médicos; prefiro isso ao
«estou absolutamente certo que…», frase que me dá arrepios. Que devemos fazer para evitar todos esses problemas? Como?»
Lendo muito, escrevendo, procurando a clareza das ideias, ciando novos circuitos neurais que venham substituir os afectados pela idade e pela vida.
Que ninguém tente ser infalível nem chegue ao topo, pois dali só há um caminho: descer.
Inventem-se novos desafios, façam-se palavras cruzadas, force-se a memória, correndo atrás dos vazios e lapsos.
Coloque-se a palavra felicidade no topo da lista de prioridades. Sete em cada 10 pessoas com Alzheimer nunca ligaram a isso e viveram vidas medíocres e infelizes – alguns nem tinham consciência disso.
Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro, lute. Lute sempre por uma causa, por um ideal, pela felicidade, porque morrer a lutar é melhor que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.

A Velha Rabujenta

Aquela velha senhora, sem posses materiais para deixar ao mundo, foi autora destes pensamentos «anónimos» que correspondem, em grande medida, a uma triste realidade.
«Que vêm em mim, amigas? Que vêm? Que pensam quando me olham? Uma velha rabujenta, não muito inteligente, de hábitos incertos, com olhos sonhadores fixos ao longe?
Que a velha cospe na comida, que não corresponde quando tentam convencê-la… de fazer um pequeno esforço?
A velha, que acreditam não se dar conta das coisas que fazem e que continuamente perde a sua escova ou mesmo os sapatos? A velha que, contra sua vontade, mas humildemente, lhes permite fazer o que queiram… que me banhem e me alimentem só para que o dia passe mais depressa? É isso que acham? É isso que vêm? Se assim for, abram os olhos, porque isso que vêm não sou eu! Vou dizer-lhes quem sou, quando aqui estou sentada, tão tranquila quanto me ordenaram…
Sou uma menina de dez anos que tem pai e mãe, irmãs e irmãos que se amam. Sou uma jovenzinha de 16 anos, com asas nos pés, que sonha encontrar o seu amado. Sou uma noiva de 20 anos, a quem salta o coração nas recordaçõess; quando fiz a promessa que me uniu até ao fim do meus dias ao amor da minha vida.
Sou ainda uma moça de 25 anos, que tem os seus filhos, que precisam que os guie. Tenho um lugar seguro e feliz!
Sou uma mulher de 30 anos, cujos filhos crescem rapidamente. Estamos unidos por laços que deveriam durar para sempre…
Agora, aos 40 anos, meus filhos já cresceram e não estão em casa. Mas, a meu lado, está meu marido, que me alenta quando estou triste. É verdade, já tenho 50 anos e, mais uma vez deixam comigo os bebés, meu netos e de novo sinto a alegria das crianças, meus entes queridos, junto a mim. Tenho agora 60 anos e nuvens escuras pairam sobre mim.
Meu marido morreu e quando olho o meu futuro, arrepio-me toda.
Meus filhos tem agora os seus próprios filhos. Então, penso em tudo o que aconteceu e no amor que conheci. Sou uma velha. Quão cruel é a natureza. A velhice é uma piada que transforma o ser humano num alienado. Murcha o corpo, os atractivos e a força desaparecem e, ali, e«onde uma vez houve um coração, está agora uma pedra. No entanto, nestas ruínas, a menina de 16 anos está ainda viva e o meu coração cansado, está ainda repleto de sentimentos vivo e conhecidos. Recordo os dias felizes e tristes.
Nos meus pensamentos, volto a amar e a viver o passado. Penso em todos esses anos, que foram ao mesmo tempo poucos, mas que passaram muito rapidamente. E aceito o inevitável, pois nada pode durar eternamente. Por isso, abram os olhos e vejam.
Diante de vós não está uma velha mal-humorada. Estou apenas «eu», uma menina, uma mulher e senhora. Viva! E com todos os sentimentos duma vida. Lembrem-se destas palavras da próxima vez que encontrem uma pessoa mal-humorada; não a rejeitem, sem antes olharem para a sua alma jovem. Algum dia, vão estar no seu lugar».

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Planeamento Integral de Cuidados

No total respeito pelo Projecto da PORTUSASS – Associação de Solidariedade e Apoio Social, expressa-se um conjunto de acções relativas ao acolhimento, informação e orientação, inserção em serviços de apoio social, tais como sócio-educativos e de convivência, encaminhamento para outras instituições, promoção de acesso a outras ajudas e, especialmente, acompanhamento sócio-familiar.

Objectivos:

· Contribuir para a prevenção e o confronto de situações de vulnerabilidade e risco social.
· Promover apoios sociais às famílias, com o objectivo de fortalecer o protagonismo e a autonomia das famílias e comunidades.

Alvos do PIC:

População em situação de vulnerabilidade social da pobreza, privação ou ausência de rendimentos, acesso precário ou nulo aos serviços públicos, com veículos familiares, comunitários e de pertença fragilizados, que vivenciem situações de discriminação etária, étnica, de género ou por deficiências, entre outros.

A criação de um Centro de Referência de Apoio Social (CRAS) como uma unidade privada de política de Apoio Social, localizado e vocacionado em áreas de maiores índices de vulnerabilidade e risco social, destinado á prestação de serviços e programas sociais de apoio de protecção social básica às famílias e indivíduos, e à articulação destes serviços no seu território de abrangência, e uma actuação intersectorial na perspectiva de potencializar o Apoio Social.
Algumas das acções de protecção social básica devem ser desenvolvidas, necessariamente, no CRAS, assim como o PIC e outros, o mesmo ocorrendo na área de abrangência da PORTUSASAS - Associação de Solidariedade e Apoio Social, podendo ser desenvolvidos fora do seu espaço físico, desde que a ela referenciados.

Deve também organizar-se a vigilância de exclusão social em ligação com outras áreas, nomeadamente com a Junta de Freguesia e Rede Social do Porto.

Sendo uma unidade social de apoio, que possui uma equipa multidisciplinar vocacionada para o Apoio Social, responsável pela implementação do PIC, de serviços e projectos de apoio básico e pela gestão articulada na área de abragência, sempre sob a orientação técnica e até de entidades oficiais, S. S. e ARS, como as Autar quias. Essa equipa será denominada Equipa de Referência e a sua composição depende do número de famílias referenciadas.

Espaço físico:

O espaço físico deve reflectir a sua principal concepção: o trabalho social com as famílias, operacionalizado por meio do PIC.
(Espera-se a melhor compreensão das autoridades autárquicas para a concessão de espaço suficientemente amplo e apropriado para o efeito.)

Os espaços considerados imprescindíveis destinam-se apenas a acções do Programa de Cuidado Integral. Assim, caso se opte pela oferta de serviços socioeducativos de convívio intergeracional, bem como de projectos de inclusão produtiva no CRAS, o espaço físico indicado deverá ser amplo e adequado, de acordo com as orientações específicas para estes serviços, de modo a não prejudicar o desenvolvimento do PIC.

A estruturação do espaço físico do CRAS, tanto quanto possível, deverá ser de responsabilidade do município, que desenvolverá, assim, a sua base de critérios por si definidos e como instância de articulação das políticas de Apoio Social integradas.

Torna-se importante mencionar que toda a expansão deve ser constituída em três etapas:

1 – Aceitação formal por parte do Município e de co-financiamento dos Ministérios da Segurança Social e da Saúde.

2 – Demonstração da capacidade e condições do Município, de implementação de tal Plano Integral de Cuidados.

3 – Monitorização e acompanhamento da implementação do PIC e da adequabilidade do CRAS pelos Ministérios referidos ou seus delegados.

A implementação efectiva do PIC com qualidade é fundamental para a franja social visada e para a concretização dos direitos sociais de apoio.

Equipa multidisciplinar,

Psicólogo
Técnica de Serviço Social
Psicogeriatra/Psicopedagoga
Enfermeiro
Administrativo

Que trabalhará sempre mantendo o espírito que guiou á sua criação, dentro da PORTUSASAS – Associação de Solidariedade e Apoio Social, o espírito do trabalho em equipa em função das necessidades demonstradas pelas famílias pobres e, por isso, mais vulneráveis.

I N T R O D U Ç Ã O

O envelhecimento humano deve ser considerado um processo natural. Pode dizer-se que abre perspectivas de vida mais amplas às gerações mais novas. Mas, a sociedade vive rodeada de medos…e, em cada esquina aparece um outro novo medo.
Envelhecer é aproximar-se do fim da vida e, consequentemente, não se pode inverter a marcha do tempo nem eleger a juventude como a época humana por excelência.
O ser humano não pode ver-se reduzido à dimensão dum corpo e duma mente eternamente jovens, muito menos deve ser confundido com aquilo que faz. As mais belas capacidades humanas desenvolvem-se com esse tempo – idade – que nos fornece talvez mais do que o que perdemos ao envelhecer.
A esses medos é indissociável juntar-lhes a solidão, que deve ser combatida. Como?
Muitos velhos (prefere-se o termo a idosos) confessam que o mais forte sofrimento é a solidão. Os filhos, quando os há, querem viver a sua vida; anseio inegável e inalienável. Visitam os pais, mas lenta e progressivamente, essas visitas rareiam cada vez mais. E, à medida que o ser humano envelhece, escasseiam também as amizades e, o medo de se tornar inoportuno, levam-no a ficar em casa, a sair dos seus hábitos e procurar novos conhecimentos.
Há que combater essa forma de pensar e agir, há que criar as condições para que tal possa acontecer.
Na PORTUSASAS – Associação de Solidariedade e Apoio Social, queremos colocar a humanização como a principal vertente do apoio social aos velhos, tudo fazendo para evitar cair na leviandade de atribuir tais conquistas à nossa única intervenção.

PROJECTO

I

Objectivos para intervenção junto de população


Considerando que cada vez se assiste mais a um rápido e “violento” aumento da população velha, a sociedade está cada vez menos preparada para, de forma adequada, lidar com essa população, pelo que se deve prever situações de exclusão e marginalização duma parte da população já por si fragilizada.

As famílias não têm a tradicional capacidade para cuidar dos seus velhos, o que as afasta da possibilidade de funcionar como sistemas de suporte.

Torna-se, assim, da maior importância, criar respostas institucionais que permitam preencher esses autênticos vazios, devendo actuar sempre na perspectiva humanista e social, visando melhorar a qualidade de vida dos velhos, proporcionando-lhes um ambiente favorável à manutenção e (re) estruturação da sua identidade pessoal.

Pretendemos assim:

Criação de um Centro de Dia – com capacidade para 24 idosos.
Criação dum Serviço de Apoio Domiciliário – aos idosos necessitados.
Criação de um Centro de Noite – com capacidade para 12 idosos.

Com a valência -Centro de Dia: pretendemos criar um conjunto de serviços tais como:

· - Alimentação;
· - Cuidados de Higiene e Conforto;
· - Ocupação do Tempo Livre dos Idosos; através de vários ateliers.
· - Apoio Psico-Social;
· - Fomentar Intercâmbios; com vários grupos etários, a fim de evitar o isolamento, de que tanto padecem os idosos e que tanto nos preocupa do ponto de vista social.

A dinamização duma rede de apoio social, tanto quanto possível e desejável com entidades de Acção Social para poder responder às necessidades dos familiares. Como?
Contemplando a criação de Ateliers onde exerçam actividades lúdicas, gímnicas e ocupacionais. Além disso, trabalhar junto da população, em colaboração com as entidades oficiais, no sentido de proporcionar um melhor enquadramento social de cada ser humano, e, mantendo em Centro de Dia. (*)
.






II

Formação da Equipa e Plano de Actuação

A criação duma equipa multidisciplinar é indispensável; assim:

-Técnico do Serviço Social – Que funcionará também como Director Técnico

- Monitor (Um/a a contratar que funcionará como Técnico de Animação, podendo o cargo ser desempenhado pelo Director Técnico em conjunto com o Monitor, a funcionar como seu mais directo auxiliar.

- Enfermeiro
- Auxiliares
- Voluntários

- Motorista – Numa segunda fase, que fará a recolha e conduzirá os utentes ao seu domicílio, encarregado também do transporte da alimentação desde o local da sua confecção até ao Centro de Dia.

Funções de cada Profissional

Técnico de Serviço Social – Profissional que dá resposta aos problemas de natureza pessoal e social do “cliente” e suas famílias. No desempenho das suas funções, gozará de toda a autonomia na utilização duma variedade de práticas e técnicas para a resolução dos problemas apresentados.

Monitor – Realiza, mediante Plano de Actividades Anual e Semanal, actividades de ocupação com os utentes nas vertentes lúdicas, artística e cultural, visando a socialização e a ocupação.

Enfermeiro – Colaborador da Unidade e responsável pela satisfação das necessidades humanas fundamentais, pela promoção da máxima independência no desempenho das actividades da vida quotidiana, assim como na adaptação funcional às limitações do usuário.

Os Auxiliares – Apoiam, duma forma geral, o trabalho das valências na Unidade e no domicílio – se for o caso – assegurando a manutenção e limpeza e higiene, quer num quer no outro espaço.
Acompanham os “clientes” no dia-a-dia, garantindo e promovendo a dignidade e a qualidade de vida dos velhos.

Os Voluntários são as pessoas que oferecem o seu tempo livre para desenvolver actividades – ocupação e lazer – com os usuários. Enquadrados nos respectivos serviços tendo em vista a melhoria dos mesmos

A PORTUSASAS pretende dar uma resposta eficaz e especializada a toda esta problemática, podendo contar, para isso, com uma equipa multidisciplinar, que articule diferentes saberes e experiências, ”fazendo vincar filosofia de que envelhecer vivendo é preciso, belo e possível”.
Para além dos elementos acima descritos e em regime de voluntariado, não se coloca fora de hipótese a contratação, a médio prazo de mais elementos, se considerados necessários, no sentido de proporcionar o melhor bem-estar dos usuários.

III

A progressiva visibilidade social, por nós apercebida, quanto ao envelhecimento, à deficiência e aos direitos humanos, provoca muitas e sérias inquietações, dúvidas e redefinições de metas e políticas. Vive-se num clima de inquietação e “medos”, em tudo relacionado com a contínua constatação de dados actuais, bem como de análise dos fenómenos sócio – demográficos, político-sociais, assim como tentar procurar melhorar a sua qualidade de vida.
Quando se institucionaliza alguém, mesmo em Centro de Dia, a pessoa depara-se com uma realidade desconhecida, originando uma entrega nas mãos de desconhecidos, podendo suscitar sentimentos de desconforto, angústia, revolta e medo, só combatidos através duma actuação estruturada, humana, técnico/relacional correcta, adaptada a cada situação e pessoa. É, pois, de primordial importância motivar a população, as famílias e instituições comunitárias para a participação e interacção com a PORTUSASAS, porque lhe caberá intervir no íntimo dos seus lares e famílias.
Porque é preciso tentar uma mudança a nível da mentalidade e através duma quebra das barreiras erigidas ao longo dos tempos, urgente mesmo, que só se pode alcançar através do fomento de vínculos e diálogo entre os diversos intervenientes no terreno, salientando a necessidade de desenvolver os intercâmbios de suporte que favoreçam a permanência das pessoas nos seios e contextos mais significativos, tendo sempre em conta que as boas medidas práticas exigem a partilha e conjugação de conhecimentos, favorecendo, sempre que possível, a chamada Área de Dia, tendo como principal objectivo fornecer oportunidades (potenciais) para o desempenho, criando e estabelecendo determinadas directrizes comportamentais e sociais, de forma a preparar adequadamente os usuários para a reintegração sócio/familiar, tentando evitar, tanto quanto possível, a institucionalização.
Os objectivos devem ser definidos de acordo com cada situação procurando, através da inserção em actividades estruturadas, incentivar a participação e fomentar a sociabilização, desenvolvendo técnicas específicas nas actividades de vida diária e competências sociais, potenciando a orientação para a realidade, de modo a melhorar a auto-estima e autonomia e proporcionando uma melhor qualidade de vida.
A utilização das actividades funciona quer como instrumento de avaliação, quer como de intervenção.
A Avaliação Social, feita pela Assistente Social, sendo possível perceber o contexto social do usuário e da família, permitindo determinar o escalão monetário da mensalidade em Centro de Dia, para além da expressão de outras variáveis.
Deverão ser considerados os seguintes escalões: máximo, médio e mínimo e especial, estabelecidos de acordo com o rendimento mensal do “cliente” e/ou família.
Na Área de Dia, para além das intervenções específicas de cada valência, o objectivo é a interdisciplinaridade, potenciando a acção de cada interveniente – Monitor e Assistente Social e o Enfermeiro que, em conjugação com o usuário, criam condições para a melhoria da sua qualidade de vida.
Reunidas as avaliações realizadas, elabora-se o Plano Individual da Reabilitação, para enquadrar o utente no programa adaptado às suas necessidades. Este plano é o guia para a implementação da intervenção, permitindo seleccionar as actividades que cada utente vai integrar no seu plano individual e colectivo.

Tendo em conta as necessidades dos utentes, a Área de Dia deve exigir-se uma periodicidade na planificação das actividades, evitando rotinas cansativas e desmotivações. É importante a flexibilidade na estruturação das actividades, devendo estas ir ao encontro das capacidades e interesses do utente, mantendo funções e prevenindo disfunções, sendo dirigidas a objectivos precisos, com efeitos motivadores, proporcionando cooperação e envolvimento.
A avaliação deve ser semanal, feita pela equipa, com o objectivo de observar alguns aspectos considerados importantes para a evolução do processo social em curso, tendo como exemplo a motivação, interesse, atenção, tolerância às actividades e o cumprimento das regras.
As reavaliações devem ser realizadas com periodicidade regular, por toda a equipa e sempre que se justifiquem.
O Programa Social deve ser composto por uma planificação de actividades diversificadas, centrado em três vértices: Utente – Comunidade – Família.
E deve ir ao encontro das necessidades do utente, valorizando as capacidades e reduzindo os défices, de modo a motivá-lo para o processo de reabilitação social, potenciando o seu estatuto de cidadão.
No processo de reabilitação é importante incluir as famílias, pois estas têm nele um papel fundamental. A Área de Dia deve procurar a integração nas famílias, através de sessões educativas, facilitando a resolução de problemas no meio familiar, contribuindo para uma melhor abordagem em cada situação.

Os utentes integrados neste projecto acabarão por descomprimir o ambiente familiar e melhorar a relação utente/família, diminuindo as hostilidades e rejeições, acentuando a compreensão e integração no meio social, sobretudo porque permitem aos familiares continuar a exercer as suas actividades profissionais.

O programa deve ser implementado de maneira a permitir ao utente adquirir recursos que possa utilizar na comunidade. Deve preocupar-se em contribuir para dar respostas em articulação com os serviços da comunidade, de modo a poder estar enquadrado pelas políticas sociais, permitindo a reinserção e/ou a integração na família e na comunidade.

São alvos preferenciais das atenções da PORTUSASAS – Associação de Solidariedade e Apoio Social as pessoas mais carenciadas com idades igual ou superior aos 60 anos, afectadas ou não por qualquer tipo de demência, incluindo a de Alzheimer, mas de modo algum fechando a porta a pessoas com menos idade.

Quanto à questão financeira e às receitas previstas, a PORTUSASAS – Associação de Solidariedade e Apoio Social reger-se-á pelas cotizações dos associados, dádivas e subsídios que lhe sejam atribuídos, tal como consta na Escritura Notarial, designadamente no seu artigo 7º, de 5 de Novembro de 2003.
A localização das instalações será na Freguesia de Paranhos, na cidade do Porto.



*Entende-se como entidades oficiais as autarquias, em particular as Juntas de Freguesia e seus pelouros de Acção Social, mais próximas e mais conhecedoras das necessidades da população



Complemento

A ocupação das pessoas tem desempenhado um papel central na existência humana desde o começo dos tempos e a sua utilização para a melhoria das condições de vida tece-se na teia da história do homem. Está cientificamente provado que a ocupação pode contribuir para o bem-estar físico e social de qualquer cidadão.

No que se pode chamar ocupação assistida, que nos pode levar para além das primeiras manifestações escritas, cita-se a recomendação de Cornélius Celsus: “para manter o bem-estar físico e social, todas as actividades, devidamente adequadas ao temperamento e ás potencialidades de cada um, são sempre benéficas.”

Galeno, por exemplo, promoveu a ocupação, sugerindo actividades que permitam a convivência e a interacção humana e social.

Em 1793, Philippe Pinel, postulando uma concepção filosófica humanista, estabeleceu práticas que conduziram a um sistema mais humano para as pessoas marginalizadas pela sociedade e reconheceu a utilidade e necessidade da ocupação para a manutenção do bem-estar físico e social.

Este pensamento foi depois defendido por praticamente toda a Europa. Mas foi somente entre 1840 e 1860, na chamada época de ouro para a aplicação destas regras morais e sociais, que a ocupação nos centros de acolhimento teve maior incremento, opondo-se aos cuidados desencorajantes do qual eram alvo as pessoas com menores recursos económicos e sociais.

As pessoas desocupadas ganham uma espécie de neurastenia e foi Herbert Hall quem realizou o primeiro estudo sistemático acerca dos efeitos da ocupação nas pessoas socialmente carenciadas.
Os óptimos resultados das experiências depois vividas, e, as actividades manuais das pessoas, mesmo as afectadas por demência nas etapas iniciais proporcionou-lhes uma adaptação tal, que se tornou na semente que deu início à busca de uma identidade social.

Na PORTUSASAS – Associação de Solidariedade e Apoio Social, vocacionada para o acolhimento e prestação de cuidados a pessoas, mesmo ou sobretudo afectadas por qualquer tipo de demência, pretende-se dar continuidade aos esforços promovidos desde então. Porque actualmente a ocupação partilha, juntamente com outras disciplinas a razão de ser quer da PORTUSASAS quer da interdisciplinaridade da sua equipa.


Uma segunda família

O conceito de família evoluiu ao longo dos anos, pelo que a sua definição não é estanque e vai sofrendo alterações que acompanham as mudanças sociais.

Ter a coragem para mudar o que pode ser mudado e serenidade para aceitar o que não pode ser mudado, e, saber fazer a diferença entre elas.

Isto faz-nos pensar naqueles a quem mais é exigido. Por nosso lado, estamos na disposição de responder a todas essas exigências. Queremos dar uma resposta. Uma pessoa que atinge a terceira idade não sendo especial, sente necessidades especiais, não devendo limitar-se a determinadas actividades diárias, o que iria limitar o nosso desempenho quotidiano.

Muito se tem escrito e muitas teorias se têm construído, assim como modelos para melhoraras condições de vida daqueles que não tiveram a sorte de a ver sorrir-lhes.

Pretendemos, para além da participação activa da família no processo de acção, mas alguns, talvez não possam responder. Arriscamo-nos a pensar que uma abordagem centrada no utente nos pode conduzir a um caminho em que a família vive no lado negativo da questão. Daí pretendermos agir como “segunda família”, colocando toda a dinâmica como âmago das dificuldades vividas por uma parte substancial da sociedade.

Sempre nos recusamos a imaginar um sistema social que não reconheça um membro duma família impedido de prestar a sua colaboração ao país e à sociedade, porque tem de tomar conta, todos os dias da semana, do mês e do ano, daquela pessoa que já se não pode valer a si própria. Por tal motivo queremos colmatar as falhas que possam ajudar a resolver esses problemas sociais.

Acreditamos, queremos acreditar ser hora de construir mais uma via que nos conduza a centrar nessas pessoas toda a nossa atenção, dedicando-lhes tempo e carinho, fazer delas nossas aliadas e sermos por elas consideradas a tal “segunda família” em quem possam apoiar-se, confiar e que o centro de Dia – ou de Noite numa segunda fase – sejam o porto de abrigo onde possam deixar para trás a solidão.